Carnaval: a máscara esconde ou revela quem somos?
O carnaval sempre me despertou uma curiosidade.
Enquanto vejo a multidão, o glitter e a euforia, não consigo deixar de pensar no que causa aquela catarse coletiva que acontece em qualquer esquina.
Essa é a dúvida que queria compartilhar com você hoje:
O carnaval é o momento de tirar o disfarce e sermos quem realmente somos ou é a chance de sermos algum outro personagem, por estarmos cansados de sermos quem somos?
Existe uma dualidade intrigante aqui.
De um lado, temos o escape.
Passamos o ano vestindo as “fantasias” sociais: o profissional sério, o pai/mãe responsável, o vizinho discreto. O carnaval seria, então, o momento visceral de honestidade, um infinito particular, onde os desejos reprimidos ganham a luz do sol. A máscara do carnaval seria, ironicamente, a remoção da máscara social.
Por outro lado, o avatar.
Talvez a gente não esteja reprimido. Talvez a gente só esteja cansado. Cansado da rotina, das mesmas limitações, do mesmo “eu”. O carnaval surge como um palco onde podemos, por três ou quatro dias, nos vestirmos de uma vida diferente. Ser o herói, o vilão, o sagrado ou o (muito) profano.
Oscar Wilde dizia:
“O homem é menos ele mesmo quando fala na primeira pessoa.
Dê-lhe uma máscara e ele contará a verdade.”
Seja por libertação ou por exaustão da rotina, o que me captura não é a festa em si, mas a fantasia. A necessidade humana de suspensão temporária da realidade.
E você?
Quando a bateria começa a tocar, você sente que está finalmente se encontrando ou deliciosamente fugindo de si mesmo?
Antes de guardar a máscara, aproveite, beba água e curta o carnaval.
Nos vemos em breve!


Sempre penso que deve ser a #1 meu caro. Tempo das pessoas rasgarem a fantasia que as tornam o que os outros esperam para ser elas mesmas.
Como cantaria o Chorão “dias de fuga, dias de glória”.
Que texto maravilhoso!
Poderosa reflexão e provocação.
Obrigado por isto.